sábado, 16 de abril de 2011

Carta Publica ao Jornalista Reinaldo Azevedo, da Veja

Meu caro, “jornalista”. Primeiramente, antes de discutir o absurdo que acabaste de escrever, gostaria de perguntar a ti o seguinte: você já leu o que sobre a teoria Marxista? Se não leu, vá ler, vai. Talvez outro modo de produção citadoapresente falhas, mas o modo que tu colocas é uma visão estreita e equivocada. Alias, quem te disse que em Pequim teve realmente um movimento comunista? Por acaso houve uma quebra de lógica do sistema capitalista? Não, né!?

Porque está certo, não concordo com os atos que aconteceram na faculdade onde eu estudo, só que usar isso de pretexto para criticar cinicamente o comunismo é um grande exagero, não?
Sim, dirás claramente que entendemos de forma equivocada, claro! Como sempre, não?! Não, não sou de nenhum grupo de esquerda e nem participei do que ocorreu no meio dessa semana.

Só que me indigna, senhor jornalista, o senhor colocar que na FEA e na Poli os alunos vão para estudar. Vão mesmo!? Acho que não, hein? Aliás, os termos mais pejorativos que encontramos no esteriótipo da FFLCH (o de intorpecentes, por exemplo) podem ser mais vistos em faculdades que não são a FFLCH.

Por fim, gostaria de elogiar o nobre texto. Em vez de informar o acontecido, mostrando os fatos de forma clara e exata, expôs a sua opinião de forma arbitrária e totalmente equivocada sobre o assunto. Obrigado.

PS: Não sei se ele vai aceitar, mas que tá lá pra ele ler, está.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Lupus

Pois é, camaradas. Venho aqui escrever sobre esse abominável episódio ocorrido no Rio de Janeiro, ontem. Triste, horrível, lamentável. Contudo, ficam algumas questões que não podem simplesmente serem esquecidas ou deixadas de lado. Principalmente porque o ocorrido na verdade não é um fato isolado de um homem que entra em uma escola e a bel prazer mata doze crianças. É muito mais profundo do que isso e temos mais réus do que imaginamos.

Primeiramente, temos que levantar uma questão simples: qual motivo levaria alguém a matar doze crianças em uma escola? Daí já extraímos outras questões fundamentais, como: por que crianças em uma escola aos doze anos? Ao rever o noticiário, que vai nos encher a paciência com o assunto até segunda ordem, algumas evidências tornam-se reais e possibilitam responder tais questões.

O homem que atirou nas crianças, segundo colegas de escola dizem, sofreu muito com perseguições nessa mesma faixa etária. Era perseguido pelos colegas, rejeitado pelas garotas. Ou seja, mais uma vítima dos atos de bullying. Contava-se em seu bairro que sempre tinha sido anti-social, mesmo sendo pacífico. E a última informação interessante: aos treze anos ele já tinha um interesse árduo por armas de fogo.

Uma criança quando passa pelos doze anos de idade, tem seu mundo virado de cabeça para baixo. É a época que ela sai da antiga 4ª série e passa para a 5ª série, que ela começa a perceber que seu corpo está mudando de maneira rápida, enfim que ela começa a se descobrir. É fundamental para ela sentir-se apoiada e querida seja no âmbito escolar, quanto em casa.

Dá para entender o que levou ao rapaz cometer ato tão vil. É só mais um caso de um adolescente reprimido pela própria sociedade, rejeitado por tudo e por todos. Esse é um crime cruel também - não tanto quanto doze assassinatos - só que quem o comete não percebe a gravidade da situação. Na verdade, não são eles que cometem e sim a própria sociedade.

A sociedade brasileira hoje vive uma transformação de seus padrões morais, culturais e éticos. Cada vez mais temos a influência da sociedade estadunidense e seus valores. No país do norte, a sociedade tende a valorizar um determinado grupo de pessoas em detrimento aos demais.

O grupo de pessoas é aqueles que vemos normalmente na televisão (aliás, principal vínculo de propaganda da cultura estadunidense): gente bonita, jovem, de inteligência mediana, com valores cristãos e alta tendência ao consumismo exacerbado. Nas novelas, nos seriados, desenhos, propagandas e até mesmo em programas de "variedades", sempre são eles os valorizados, os que deverão fazer sucesso. Infelizmente, a sociedade compra essa verdade como se fosse única e a guarda em seu seio.

Quando a sociedade a compra, percebemos que começam haver grupos de exclusão. Sempre existem aqueles que se marginalizam somente por serem diferentes, por não seguirem o padrão. Só que vendem a idéia do "vencedor" e do "perdedor" como verdade absoluta de uma suposta sociedade bem-sucedida (primeira potência do planeta). Essa verdade, como qualquer outra, é incontestável.

Daí tiramos a pergunta: por que as crianças a reproduzem primeiro? Simples. Como diria John Locke, o homem é uma criatura de barro que pode ser moldada. As crianças são moldadas assim: vêem isso na televisão, a educação da sociedade (através do chinelo da mãe ou do pai) indicam como eles devem se portar. Ou seja, as crianças desde cedo são moldadas para serem réplicas do ser humano que a sociedade quer no futuro. Muitas fogem do padrão e, quando elas fogem (por diversas 'falhas na moldagem') as primeiras pessoas que elas vão ter que enfrentar são aquelas que estão próximas a elas: os colegas na escola.

Daí saí o bullying, daí sai todas as mortes em escolas estadunidenses e agora brasileiras. A culpa é sim de quem as matou, porém ele não é o único culpado. A própria sociedade tem muita culpa! Se não fossem esses modelos imbecis pré-moldados, não aconteceriam essas coisas. Inteligente, crítico, diferente, de outra opção sexual, de outra opção religiosa e qualquer outro que não aceite o sistema do jeito que ele é vai ser sempre perseguido. E o que é pior: você finalizar doze vidas ou infernizar centenas outras? Pense nisso.